esperei pelo pombo correio que traria a mensagem dizendo ele voltou, e quando chegasse eu finalmente conseguiria dormir na cama de novo. faz dias que meu colchao começou a dar insônia, já beira a décima manhã que desperto no sofá da sala com a coluna e o coração doendo. esperei pelo pombo correio que chegou mas não trouxe a mensagem certa, trouxe outra que dizia que ele se foi pra sempre. lágrimas quentes caem no meu copo de café frio e não consigo mais comer. só penso nele, que agonizou sozinho no asfalto quente do inverno bauruense e ainda está lá, só que agora com metade do corpo carcomido pelos ratos. o irônico é que era ele quem caçava ratos.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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