Por aqui tudo me acontece pelo avesso, durmo de noite e passo os dias acordada, descanso em uma cama que não é minha olhando prum teto que não reconheço, dirijo pela cidade e não vejo ninguém (curiosamente me identifico sempre com os bêbados e mendigos). Uma sede arrebatadora me acordou essa manhã, já bebi doze copos de água desde então e a boca continua seca. A crise literária me pegou pelos pés e estive pendurada de ponta cabeça há horas. Essas palavras que escrevo não são minhas e não sou capaz de organizar direito os pensamentos. Tive frio e não houve cachaça que esquentasse, tive fome e poesia nenhuma me saciou. Julho me faz mal, logo faço vinte anos no lugar onde nasci, cresci e produzi, amei e morri. Tudo que consigo pensar é que merda!
Demonstrando uma vez mais ser de insensibilidade e egoÃsmo excepcionais, me disse, como se proclamasse um elogio: "Você foi protagonista do meu ano". DO-MEU-A-NO. Ecoou. Calei. Me preservei. Se dissesse a verdade, ele ganharia de novo. Ele sempre ganhava. A verdade, aqui lhes conto sem medo, é que eu quis ele que fosse o grande protagonista da minha vida. Casar no Timbuktu, amar pra sempre, comprar móveis e o caralho a quatro. PARIR SEUS FILHOS, isso sim é um elogio, baby.