Gabriel,
desde que te conheci você foi como novembro pra mim. novembro, você sabe, é sempre promessa de partida e à s vezes me pergunto se foi justamente esse conceito de efemeridade que me fez jogar de cabeça naquele (pra mim estranhÃssimo) eu e você. obviamente é uma questão cuja solução não interessa, a verdadeira questão, por trás dessa, e que realmente me importa, porque me dói como uma ferida que nunca cicatriza, é que novembro finalmente se aproxima. novembro, que a princÃpio estava a três meses de distância demorou um ano pra chegar. mas chegou, e não sei porque me demoro toda nessa fala sem sentido mas agora começo a imaginar se meus olhos transcenderam durante essa vida a dois que levamos por um tempo todo o amor que não consegui expressar com a fala. perdi muito tempo acreditando que sim, uma vez que era um amor que eu não conseguiria nunca esconder, era como as gotas de suor que mancham nossa camiseta nos dias de inferno bauruense, mas agora me surge a dúvida e penso ainda que talvez seja tarde demais pra te contar o que nem a fala nem os olhos disseram, mas é que essas três palavras são tão insignificantes que à s vezes acho que não querem dizer nada, talvez meus olhos tenham sido mais expressivos mesmo e eu sei que enrolo demais, minhas introduções à s vezes são maiores que os argumentos e o fato é que vou sentir tanta saudade desses dias de sol como hoje que saà e te deixei dormindo e lá fora soprou um vento tão bonito e pensei que te queria comigo e fechei os olhos e apertei sua mão invisÃvel ao meu lado e mais tarde você disse que a cama estava gostosa e pensei que nessa hora você talvez tivesse sonhado comigo e com aquela manhã maravilhosa e não sei, a gente já se cansou de escrever cartas maravilhosas sobre as belezas que vivemos e construÃmos juntos e sorrindo mas o que me aflige mesmo é que nunca antes eu tinha sorrido com tamanha intensidade e sofro de um medo terrÃvel de passar o resto da vida querendo apertar uma mão invisÃvel que não sonha comigo nos dias bonitos, penso em animais de estimação com nomes que só a gente entende o significado, um apartamento na capital e um colchão de casal e me entristeço em lembrar que nem eu nem você fomos feitos pra isso. sim, eu sei que tuas asas ardem quando não voam por algum tempo porque as minhas agonizam da mesma dor e talvez você tenha sido só o primeiro em muitos que me abraçarão quando eu sentir dor mas talvez, também, isso tudo tenha sido um grande erro cósmico e nos conhecemos na hora errada, quem sabe, não sei, mas acho que pra resumir, a questão verdadeira, a que realmente importa, é que novembro se aproxima baby, e eu pareço não estar conseguindo encontrar o botão de pause!
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