Experimento I
Foi só alguns anos depois, em meio à loucura de um bar sujo repleto de dançarinos extasiadas por entre a fumaça e o cheiro adocicado de qualquer coisa que lembrava alecrim e talvez canela, tive coragem de me recordar daquela noite em que nunca antes tivera eu a chance de conhecer ninguém nem nada tão precisamente e profundamente como conheci você. E então toda aquela energia (era assim chamada por não ter nome próprio) que as feridas careceram esquecer para enfim cicatrizarem voltou com uma intensidade descontrolada e, meu deus, não sei ao certo se nostalgia é a palavra, mas cara, que saudade penosa de um êxtase extraordinário que, como já devia ter dito em voz alta alguma vez no passado, não acreditei ser meu cérebro o seu criador, porque parecia qualquer coisa mais cósmica, meio mágica.
Comentários
Postar um comentário