Vá embora e feche a porta

Éramos duas crianças alucinadas chorando na escuridão de um cinema. Ele chorava pelo melodrama que víamos na tela, eu chorava pelo amor que se esvaía das minhas células a cada soco no estômago que recebia. Estes, naquela época, passaram a ser mais recorrentes. Apertei sua mão com toda a força que ainda tinham e ele não apertou a minha de volta. Murchei como um balão esquecido ao sol, mas eu era somente chuva. Eu era palavras exageradas, problemas infantis e sentimento demais pros 1 metro e cinquenta e nove de corpo. Ele era olhares vazios, palavras frívolas e silêncio no corpo todo. E eu precisava tanto que ele falasse... até que eu parei também de falar, e ele então deixou de frequentar a minha cama nas noites frias.

Ontem recebi um postal que dizia querida, conheci ordem e disciplina e entendi quanto é adorável o caos que você é, estou voltando pra debaixo dos seus lençóis.

Só espero que ele tenha que enfrentar catorze mil obstáculos para enfim descobrir nossa casa demolida.

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