me falam sempre em intensidade e cara, desde que te vi pela primeira vez passando por mim com aquele meio sorriso safado no rosto a vida foi sempre muito intensa, mas esta manhã me dei conta de que seus bilhetes pela casa quando volto do trabalho não provocam o mesmo êxtase, as flores murcham na janela e nem sinto a vontade infantil de guardá-las no diário, à noite meus gritos são puro prazer e quando me enfio inteira na curva do teu ombro sinto uma dificuldade enorme em respirar, não encontro mais pontos de encaixe entre meu corpo e o teu. os corações que desenhei na parede amanheceram partidos e sinceramente, meu bem, a culpa foi toda sua. os beijos me satisfaziam por completa mas alguns dos tapas foram tão fortes que a alma não suportou.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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