O fato em questão é que eu e você e toda essa gente que circula insensÃvel por aà somos produtos de um admirável mundo novo onde falar em solidão agora é cafonice. Peço desculpas a você e a toda essa modernidade que não fuma mais maconha nem sabe nada sobre tristeza, mas baby, ela me inspira. Nunca acreditei muito no amor por nunca ter produzido palavras bonitas em meu teclado, que incoerência. Mas é isso e é assim, vivi sempre muito bem no meu ceticismo escrevendo sobre desamor obrigada, até que você apareceu pra me foder em todas as posições do kama sutra e não, não digo isso no bom sentido, então te falo uma coisa querido, só pra sair da garganta e depois volto a escrever sobre a solidão que permeia o fim de novembro: você destruiu o que eu era e por isso não tem o direito de simplesmente ir embora deixando teus restos pela minha casa e tuas cicatrizes pela minha pele. contenha-se, assim e fica. Se o mapa da tua vida indica o Sul, então me faz uma cópia da chave do teu quarto que já enjoei do calor que faz por aqui.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...