Pensei em você enquanto tomava café na padaria. É que bateu um vento e todas as folhas de uma árvore caÃram igual chuva e eu quis muito fotografar. Desde que me ensinaste tua teoria sobre fotografias mentais eu guardei duas naquela partezinha do cérebro que deixo pra lembranças tuas; a primeira foi dos fogos daquele ano novo que te encontrei e a segunda é tua com meu gato que já morreu. Fotografei a terceira e pensei que nem saberia que endereço por no envelope quando entrasse no correio, já faz meses que parei de mudar meu caminho a fim de passar em frente a casa da tua mãe todo dia e semana passada encontrei teu irmão na rua que me disse mesmo sem eu perguntar que faz mais de ano que não te vê, mas a verdade é que mesmo se nunca mais colocasses os pés nessa cidade eu ia continuar olhando pros homens nos bares e sentir o joelho fraco pensando que é você. Mesmo assim meu bem, um cartão postal hoje já não machuca como antes e creio que devesses tentar.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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