Pensei em você enquanto tomava café na padaria. É que bateu um vento e todas as folhas de uma árvore caÃram igual chuva e eu quis muito fotografar. Desde que me ensinaste tua teoria sobre fotografias mentais eu guardei duas naquela partezinha do cérebro que deixo pra lembranças tuas; a primeira foi dos fogos daquele ano novo que te encontrei e a segunda é tua com meu gato que já morreu. Fotografei a terceira e pensei que nem saberia que endereço por no envelope quando entrasse no correio, já faz meses que parei de mudar meu caminho a fim de passar em frente a casa da tua mãe todo dia e semana passada encontrei teu irmão na rua que me disse mesmo sem eu perguntar que faz mais de ano que não te vê, mas a verdade é que mesmo se nunca mais colocasses os pés nessa cidade eu ia continuar olhando pros homens nos bares e sentir o joelho fraco pensando que é você. Mesmo assim meu bem, um cartão postal hoje já não machuca como antes e creio que devesses tentar.
Demonstrando uma vez mais ser de insensibilidade e egoÃsmo excepcionais, me disse, como se proclamasse um elogio: "Você foi protagonista do meu ano". DO-MEU-A-NO. Ecoou. Calei. Me preservei. Se dissesse a verdade, ele ganharia de novo. Ele sempre ganhava. A verdade, aqui lhes conto sem medo, é que eu quis ele que fosse o grande protagonista da minha vida. Casar no Timbuktu, amar pra sempre, comprar móveis e o caralho a quatro. PARIR SEUS FILHOS, isso sim é um elogio, baby.
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