do quinto andar eu olho pro centro de são paulo e vejo um conto de joão antônio, os anos todos se passaram e a marginalidade paulista é exatamente a mesma. queria que ele tivesse vivo, queria encontrá-lo por acaso jogando sinuca em um boteco e me apresentar, provavelmente não falaria nada que é por medo de não impressionar. a chuva cai gelada mas eu não sinto, não consigo me concentrar em nada além das risadas das putas lá embaixo, aquela minha sede insaciável de qualquer coisa que não sei o que voltou a atormentar já faz umas duas semanas e sinto no estômago o monstro que mora lá pedindo pra sair. a verdade é que nada disso importa agora, só quero descer pra chuva e dar gargalhadas com elas, talvez olhar pro céu e agradecer pela noite, não sei.
Demonstrando uma vez mais ser de insensibilidade e egoÃsmo excepcionais, me disse, como se proclamasse um elogio: "Você foi protagonista do meu ano". DO-MEU-A-NO. Ecoou. Calei. Me preservei. Se dissesse a verdade, ele ganharia de novo. Ele sempre ganhava. A verdade, aqui lhes conto sem medo, é que eu quis ele que fosse o grande protagonista da minha vida. Casar no Timbuktu, amar pra sempre, comprar móveis e o caralho a quatro. PARIR SEUS FILHOS, isso sim é um elogio, baby.
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