do quinto andar eu olho pro centro de são paulo e vejo um conto de joão antônio, os anos todos se passaram e a marginalidade paulista é exatamente a mesma. queria que ele tivesse vivo, queria encontrá-lo por acaso jogando sinuca em um boteco e me apresentar, provavelmente não falaria nada que é por medo de não impressionar. a chuva cai gelada mas eu não sinto, não consigo me concentrar em nada além das risadas das putas lá embaixo, aquela minha sede insaciável de qualquer coisa que não sei o que voltou a atormentar já faz umas duas semanas e sinto no estômago o monstro que mora lá pedindo pra sair. a verdade é que nada disso importa agora, só quero descer pra chuva e dar gargalhadas com elas, talvez olhar pro céu e agradecer pela noite, não sei.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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