entrei no quarto e respirei aquele cheiro característico que sinto em suas roupas e vezenquando no meu travesseiro, deitei no colchão pra ver se conseguia impregnar meu cheiro no lençol dele, numa tentativa frustrada de fazê-lo lembrar que eu ainda existo. não preguei o olho a noite toda. era tanta dor que não sabia quantos analgésicos tomar, preferi fumar um cigarro e fumei 20. meu silêncio me machuca a pele mas eu não posso falar porque o silêncio dele pede pra que eu não fale. então não falei e mais tarde quando não aguentei tentei gritar mas a voz não saiu. então peguei a caneta e lotei suas paredes de juras de amor pra depois apagar tudo. a verdade é que naquele momento eu só queria que ele estivesse ali pra poder me ajoelhar aos seus pés e pedir um pouquinho de amor (dei todo o meu de presente e ando precisando de um teco de volta). voltando pra casa cruzei ele que me chamou pra um café. com o último pingo de amor-próprio eu recusei e subi a rua sem olhar pra trás. quando virei a esquina transbordei pelos olhos e nariz e escorri pelo bueiro. temo a dificuldade de juntar os restos.

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