entrei no quarto e respirei aquele cheiro caracterÃstico que sinto em suas roupas e vezenquando no meu travesseiro, deitei no colchão pra ver se conseguia impregnar meu cheiro no lençol dele, numa tentativa frustrada de fazê-lo lembrar que eu ainda existo. não preguei o olho a noite toda. era tanta dor que não sabia quantos analgésicos tomar, preferi fumar um cigarro e fumei 20. meu silêncio me machuca a pele mas eu não posso falar porque o silêncio dele pede pra que eu não fale. então não falei e mais tarde quando não aguentei tentei gritar mas a voz não saiu. então peguei a caneta e lotei suas paredes de juras de amor pra depois apagar tudo. a verdade é que naquele momento eu só queria que ele estivesse ali pra poder me ajoelhar aos seus pés e pedir um pouquinho de amor (dei todo o meu de presente e ando precisando de um teco de volta). voltando pra casa cruzei ele que me chamou pra um café. com o último pingo de amor-próprio eu recusei e subi a rua sem olhar pra trás. quando virei a esquina transbordei pelos olhos e nariz e escorri pelo bueiro. temo a dificuldade de juntar os restos.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...