uma lembraça
uma mania de lidar com os fatos de forma peculiar: fingir tão bem esquecê-los ou não se importar a ponto de convencer a si mesma. mas vezenquando batem tão forte a cara que fica impossível não pensar naquela manhã em que voltavas pra casa e nos encontramos por acaso: ias mesmo sentar comigo na mesa da tua cozinha pro nosso velho ritualcafédamanhã enquanto me olhavas nos olhos, passar um café, a manteiga no pão, carinho na gata pra depois me beijar a testa com a boca suja que chupou outra a noite inteira? e enquanto as perguntas pairam no ar eu penso que descobri uma grande verdade sobre nós: não sou eu quem se contradiz afinal, porque os corpos e os lençóis podem não ser sagrados, mas a saliva e o suor, esses são baby! (invioláveis imiscíveis intransferíveis) e finalmente dou graças por meu estômago fraco que depois de tanto apanhar pediu arrego. e penso que, de repente, sob a perspectiva da distância e do passado (fatídico) a rainha dos eufemismos que sou possa deixar de lado a preferência patética por sempre insistir em trocar filho da puta por leviano e total falta de tato por distração. seria uma vitória (só minha).
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