pensei em todos os garotos com quem já dividi amanheceres frenéticos e quais deles me provaram verdadeiros parceiros de crime: os que acenderam meu trigésimo cigarro por saber que a única opção existente era sentar ao meu lado me ouvindo gritar (porque hoje o sono não vem), e quando o corpo já não aguenta ficar em pé deitaram ao meu lado em silêncio ignorando o medo do ar se acabar enquanto o coração parece querer sair pela boca. no dia seguinte ainda ali pra lembrar-me que a tristeza não existe e que a noite de fato valeu a pena. essa manhã me faltou parceria quando nada parecia real, e a culpa pelo crime levei sozinha. o sol atravessa minhas cortinas queimando a retina e sinto um câncer em meu pulmão crescendo por todo o corpo. pensamentos perversos e estórias inventadas pra recusar um convite de almoço. a primeira vez que nos sangram o nariz a gente nunca esquece.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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