não quero dormir sozinha
é a rainha dos eufemismos quem da as cartas outra vez e o que antes chamavam tapas hoje são meros insabores. me agarro em promessas nunca feitas, me apaixono por gestos quaisquer e o final da estória finjo não prever. o sol entra pela janela num ângulo que só existe no hemisfério norte e repito em voz alta que a espera vale a pena pela simples lembrança de acordar com a tua mão na minha cintura. outro dia fui embora com estranhos que conheci no bar e não sei se por promessa de aventura ou pela ausência tua, que já não aparece há tantos dias. te encontrar tão longe depois de tantas coincidências me pareceu algo que poderia ser incrível e por isso não quero desistir (o tráfego na cidade do méxico nunca foi tão divertido e outro dia quase te comprei uma escova de dentes). foram excessivos os insabores e só te digo, meu bem, que ando fatigada, esforços em vão causam rugas, o barco já não te ajudo a remar: quando te canses saltamos os dois. já não tenho feridas abertas nos tornozelos mas tampouco me interessa a azia que me amarga a boca antes mesmo da sobremesa.
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