tinha sede e nem sabia direito de que era. amanhecia às sete da manhã e a última pessoa que queria em sua cama era ele, mas sabia que por alguma razão aà estava. podia não ter deixado ele entrar no banheiro, ter recusado o beijo e a carona, não ter fingido acreditar na mentira de que já não podia dirigir, deixado ele dormir no sofá, deixado ele dormir no chão do quarto, deixado ele dormir no pé da cama, ter dito não quando lhe tirou a calcinha e a série de acontecimentos que o fizeram acreditar que tinha o direito de estar ali. seu celular tocava enquanto eles gemiam. se vestia contando uma mentira qualquer pra esposa e ela fumava um cigarro repetindo mentalmente que a culpa não existe. lembrou de uma noite bonita na cobertura de uma antiga casa e pensou que no Brasil as estrelas brilhavam mais. imediatamente a urgência de lavar os lençóis e as fronhas, a calcinha, o colchão no sol antes de acender o próximo cigarro.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
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