tinha sede e nem sabia direito de que era. amanhecia às sete da manhã e a última pessoa que queria em sua cama era ele, mas sabia que por alguma razão aí estava. podia não ter deixado ele entrar no banheiro, ter recusado o beijo e a carona, não ter fingido acreditar na mentira de que já não podia dirigir, deixado ele dormir no sofá, deixado ele dormir no chão do quarto, deixado ele dormir no pé da cama, ter dito não quando lhe tirou a calcinha e a série de acontecimentos que o fizeram acreditar que tinha o direito de estar ali. seu celular tocava enquanto eles gemiam. se vestia contando uma mentira qualquer pra esposa e ela fumava um cigarro repetindo mentalmente que a culpa não existe. lembrou de uma noite bonita na cobertura de uma antiga casa e pensou que no Brasil as estrelas brilhavam mais. imediatamente a urgência de lavar os lençóis e as fronhas, a calcinha, o colchão no sol antes de acender o próximo cigarro.

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