del cuaderno de recuerdos
O vento sopra frio enquanto o taxista me pergunta qualquer coisa sem importância e eu sorrio. Respondo monossilábica porque as luzes de Tlalpan não me permitem nem um princÃpio de small talk. A necessidade de chegar tão longe a fim de me perder pra poder sentir algo tão sincero como o vento frio que as vezes sopra na Cidade do México. As estações do metrô estão todas abandonadas como se nunca tivesse existido a multidão que as percorre todos os dias e me diz o taxista que no, todavÃa falta mucho a División del Norte, no te preocupes. A verdade é que não me preocupo. A verdade é que sair do trabalho as duas e meia da manhã e me enfiar num taxi que percorra a Calzada de Tlalpan sentido sul, abandonada e fria, porque morro de vontade de te ver é das partes favoritas do fim de semana. Te ensino a dormir ao contrário na cama e nem sabes o bonito que é isso. Cinco minutos deitados e já escuto tua respiração funda, forte, de quem dorme sem medo enquanto tenho conversas existenciais com as duas marquinhas que tens no pescoço. Falo com a tua pele que dorme e você nem liga, melhor assim, posso dizer tudo. Te conto da sensação bizarra que é me sentir em casa estando a milhares de quilômetros. No teu carro toca Bill Withers pela vigésima vez em vinte e quatro horas. ¿En qué piensas? E te sorrio. Essa sim é uma pergunta importante e respondo que é um dia bonito. Acordar ao teu lado, sabe?
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