junho chegou esfriando os colchões mas a verdade é que já era inverno dentro de mim há meses. três cobertores e o frio não arreda, só durmo morna acompanhada e acho isso o maior fracasso da minha so-called independência. enquanto eu dançava freneticamente ao som de qualquer coisa que o dj tocava ele conversava com outra mulher... monogamia nunca foi nosso forte, essa é a verdade sobre eu e ele, mas faz tempo que outro homem não dorme sob meus lençóis, da última vez eu levantei pra fumar um cigarro na janela e fumei o maço inteiro pra não voltar pra frieza da indiferença. auto-destruição é meu nome. continuo dançando e mais tarde quando choro ele me abraça e diz que vai ficar tudo bem mas eu sei que é da boca pra fora, ele não faz idéia dos castigos da condição feminina, o corpo dele é quente com ou sem minha presença.
Das saudades que eu tenho? Subir a rua Alabama e chegar na 17.
Recordo caminhar por uma Cidade do México fria, cinzenta e poluÃda, lábios secos e nariz sangrando. (Quase) nunca faltaram pés que aquecessem meus pés, mas lembro ir dormir muito tarde e acordar muito cedo pra uma cidade vazia e escura e insisto em acreditar que aquela tristeza que me dava te ver dormir tão manso enquanto me deixavas ir embora sem medo, diariamente, foi algum tipo de sinal. Das camas alheias a tua foi minha favorita. Outro dia vi que redecoraste a casa toda e aquela cama se foi em algum caminhão, e tive certeza de que nossa história nunca escrita já tinha perdido seu lugar: ele segue seu caminho pela avenida Revolución e eu fico aqui mesmo, pra pegar Patriotismo. (Nossas avenidas desde sempre nos indicavam caminhos opostos, desavisada nunca fui). Até hoje sorrio ao escutar as músicas que você me apresentou. Sempre te lembro cantando, igual aquele dia quando saà do banho e te espiei do corredor: violão na mão, cantando de olhos fechados, pra um público invisÃvel, minha...
auto-destruição mesmo que não soe tão bom é sempre o melhor jeito de encontrar um estado de espÃrito calmo. adoro sua intensidade.
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