junho chegou esfriando os colchões mas a verdade é que já era inverno dentro de mim há meses. três cobertores e o frio não arreda, só durmo morna acompanhada e acho isso o maior fracasso da minha so-called independência. enquanto eu dançava freneticamente ao som de qualquer coisa que o dj tocava ele conversava com outra mulher... monogamia nunca foi nosso forte, essa é a verdade sobre eu e ele, mas faz tempo que outro homem não dorme sob meus lençóis, da última vez eu levantei pra fumar um cigarro na janela e fumei o maço inteiro pra não voltar pra frieza da indiferença. auto-destruição é meu nome. continuo dançando e mais tarde quando choro ele me abraça e diz que vai ficar tudo bem mas eu sei que é da boca pra fora, ele não faz idéia dos castigos da condição feminina, o corpo dele é quente com ou sem minha presença.
Demonstrando uma vez mais ser de insensibilidade e egoÃsmo excepcionais, me disse, como se proclamasse um elogio: "Você foi protagonista do meu ano". DO-MEU-A-NO. Ecoou. Calei. Me preservei. Se dissesse a verdade, ele ganharia de novo. Ele sempre ganhava. A verdade, aqui lhes conto sem medo, é que eu quis ele que fosse o grande protagonista da minha vida. Casar no Timbuktu, amar pra sempre, comprar móveis e o caralho a quatro. PARIR SEUS FILHOS, isso sim é um elogio, baby.
auto-destruição mesmo que não soe tão bom é sempre o melhor jeito de encontrar um estado de espÃrito calmo. adoro sua intensidade.
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