eu acho que já te contei algo sobre beijar o céu, num guardanapo de papel, dizia a dedicatória do livro, que foi da minha estante empoeirada pra uma mala com destino ao méxico a outra estante empoeirada. vezenquando me lembrava dele, tirava da estante, abria, lia a dedicatória, acariciava, cheirava (confesso que um dia cheguei a abraçar) e guardava de volta pra devorar outro enrique serna na solidão do transporte público. tive medo de te encontrar pelas páginas se as lesse com atenção, da lembrança dos teus recados nos guardanapos de papel, da impressão recorrente de beijar o céu que me descreveste tão bem naquela manhã de fevereiro, lembra?
Demonstrando uma vez mais ser de insensibilidade e egoÃsmo excepcionais, me disse, como se proclamasse um elogio: "Você foi protagonista do meu ano". DO-MEU-A-NO. Ecoou. Calei. Me preservei. Se dissesse a verdade, ele ganharia de novo. Ele sempre ganhava. A verdade, aqui lhes conto sem medo, é que eu quis ele que fosse o grande protagonista da minha vida. Casar no Timbuktu, amar pra sempre, comprar móveis e o caralho a quatro. PARIR SEUS FILHOS, isso sim é um elogio, baby.
Lindo pois triste. Triste pois bonito.
ResponderExcluirSua estante me parece uma Boa Estante!!
ResponderExcluirmas nao use o fato de ter abraçado como uma confissao. é mais como o registro de alguém em alguma coisa: e é lindo isso. gosto sempre de te ler porque parece que pode acabar a qualquer segundo e vir como uma estaca na gente, entende?
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