E então chegou o dia em que ele não voltou. Era fato que passei 278 dias esperando pela hora do não-retorno. Mas quando realmente aconteceu foi diferente. Já havia ensaiado mil diálogos que viria a travar com o espelho e feito a lista das 35 coisas a que me dedicaria quando ele se fosse, mas quando realmente aconteceu, só me veio a calma. Foram 278 dias de tempestade e quando pensei que chegaria o armagedon, veio a calmaria. (odeio ditados populares). Abri a janela depois de anos no escuro e me alimentei de toda luz que havia na varanda. Suguei toda ela e ficou noite lá fora, só eu que era dia. Fui luz por muito tempo ainda e fui calma até a próxima gota de água que me caiu no nariz apagando a chama. E então chegou o dia em que ele bateu a porta, trazendo uma garrafa de café e o disco do Dylan que queria ouvir comigo. Derreti aos seus pés e ouvimos Bob Dylan bem alto que era pra abafar o som da tempestade que caiu incessantemente a noite inteira.
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...
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