esperei pelo pombo correio que traria a mensagem dizendo ele voltou, e quando chegasse eu finalmente conseguiria dormir na cama de novo. faz dias que meu colchao começou a dar insônia, já beira a décima manhã que desperto no sofá da sala com a coluna e o coração doendo. esperei pelo pombo correio que chegou mas não trouxe a mensagem certa, trouxe outra que dizia que ele se foi pra sempre. lágrimas quentes caem no meu copo de café frio e não consigo mais comer. só penso nele, que agonizou sozinho no asfalto quente do inverno bauruense e ainda está lá, só que agora com metade do corpo carcomido pelos ratos. o irônico é que era ele quem caçava ratos.
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...
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