Hoje acordei com tua mão brincando com meus cabelos, sorri antes mesmo de abrir os olhos e quando finalmente o fiz, possuidora da maior preguiça do mundo, descobri que não estavas ali. Deixei um bilhete na cama dizendo que o dia amanheceu lindo e você perdeu, mas ao voltar do meu longo e estúpido dia de problemas pra me enfiar debaixo das minhas cobertas que já são tão tuas, o bilhete ainda estava lá. Tentei me lembrar qual foi a última vez que te vi e não pude, lembrei apenas de uma noite em que meu corpo no seu gritava ainda mais alto que as cordas vocais e pensei que talvez fosse tanto amor escorrendo de mim que tiveste medo de se afogar. por isso deixaste minha cama?
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...