O fato em questão é que eu e você e toda essa gente que circula insensÃvel por aà somos produtos de um admirável mundo novo onde falar em solidão agora é cafonice. Peço desculpas a você e a toda essa modernidade que não fuma mais maconha nem sabe nada sobre tristeza, mas baby, ela me inspira. Nunca acreditei muito no amor por nunca ter produzido palavras bonitas em meu teclado, que incoerência. Mas é isso e é assim, vivi sempre muito bem no meu ceticismo escrevendo sobre desamor obrigada, até que você apareceu pra me foder em todas as posições do kama sutra e não, não digo isso no bom sentido, então te falo uma coisa querido, só pra sair da garganta e depois volto a escrever sobre a solidão que permeia o fim de novembro: você destruiu o que eu era e por isso não tem o direito de simplesmente ir embora deixando teus restos pela minha casa e tuas cicatrizes pela minha pele. contenha-se, assim e fica. Se o mapa da tua vida indica o Sul, então me faz uma cópia da chave do teu quarto que já enjoei do calor que faz por aqui.
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...