do quinto andar eu olho pro centro de são paulo e vejo um conto de joão antônio, os anos todos se passaram e a marginalidade paulista é exatamente a mesma. queria que ele tivesse vivo, queria encontrá-lo por acaso jogando sinuca em um boteco e me apresentar, provavelmente não falaria nada que é por medo de não impressionar. a chuva cai gelada mas eu não sinto, não consigo me concentrar em nada além das risadas das putas lá embaixo, aquela minha sede insaciável de qualquer coisa que não sei o que voltou a atormentar já faz umas duas semanas e sinto no estômago o monstro que mora lá pedindo pra sair. a verdade é que nada disso importa agora, só quero descer pra chuva e dar gargalhadas com elas, talvez olhar pro céu e agradecer pela noite, não sei.
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...
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