eu acho que já te contei algo sobre beijar o céu, num guardanapo de papel, dizia a dedicatória do livro, que foi da minha estante empoeirada pra uma mala com destino ao méxico a outra estante empoeirada. vezenquando me lembrava dele, tirava da estante, abria, lia a dedicatória, acariciava, cheirava (confesso que um dia cheguei a abraçar) e guardava de volta pra devorar outro enrique serna na solidão do transporte público. tive medo de te encontrar pelas páginas se as lesse com atenção, da lembrança dos teus recados nos guardanapos de papel, da impressão recorrente de beijar o céu que me descreveste tão bem naquela manhã de fevereiro, lembra?
Masoquista
Em uma interminável luta contra meu eu mais lúcido te procuro em toda parte e felizmente é sempre em vão. Na minha cabeça passam os trechos como um filme daquele filme que fizeste no Rio de Janeiro. Fecho os olhos e o sol se põe mil vezes na baÃa de Guanabara, meus cabelos ao vento e aquela luz tão melancólica. O som da tua risada não consigo esquecer. A voz é a primeira das lembranças a fugir, me contaram uma vez mas eu, mesmo tendo queimado há meses minha cópia do teu filme, quando fecho os olhos e vejo o sol se por em um loop infinito, ouço claramente o som da tua risada. Estive na Lapa outra vez semana passada, mas cruzei a ponte Rio-Niterói antes mesmo de nascer o dia, tive medo dos teus ecos. Me arrependi depois e busquei por todas partes aquele filme que fizeste. Era vontade de doer, eu acho. Continuo procurando restos nossos, vez ou outra. Por sorte, é forte o medo de procurar em teu presente, arriscar descobrir que tua felicidade hoje contrasta com a minha l...
Lindo pois triste. Triste pois bonito.
ResponderExcluirSua estante me parece uma Boa Estante!!
ResponderExcluirmas nao use o fato de ter abraçado como uma confissao. é mais como o registro de alguém em alguma coisa: e é lindo isso. gosto sempre de te ler porque parece que pode acabar a qualquer segundo e vir como uma estaca na gente, entende?
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