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Sobre o verão de 2014

Aquele tinha sido o verão mais quente desde 1996. Nenhum de nós havia estado ali em 1996 para poder comparar, mas o simbolismo da estação nos afetava por igual. Quando as noites são quentes, é impossível dormir e quem não dorme peca mais. O calor aproximava nossas mentes e separava nossos corpos, parecíamos de repente adolescentes confusos tentando entender qualquer coisa sobre a vida. Sobre um Bukowski ou outra obra qualquer esticávamos o branco e brando futuro da noite: promessa de grandeza, sempre. E amanhecíamos 32 graus com as mesmas roupas suadas, os pulmões cansados e vozes roucas. Amanhecíamos meio destruídos, meio desconstruídos, com muito calor e pouco amor. Éramos parceiros, cúmplices de crime, todos juntos lembrando o outro que a tristeza não existe e que filosofia sempre mata solidão. Era difícil tentar não se afogar diariamente na onda de calor. Era inevitável não pensar em estações passadas, em estações futuras. 

Dos meus rascunhos

A questão toda meu bem, é que eu não deveria tentar tanto, deveria vir natural. E você diz que não é nada disso mas eu não consigo acreditar. Então eu peço, imploro aos teus pés só pra me provar o contrário. Sai comigo na chuva, passa um mês sem usar uma peça de roupa dentro de casa, faz da minha coleção de pedras diamante, e não soube mais.

Closure

Sua visita curou todas as feridas imaginárias, querido, e o orgasmo desta vez engoli pra não ter que lidar com os restos. (o suor imediatamente no ralo do banheiro) Enfim, o fim.
Sempre aos prantos Sempre nos cantos  buscando aconchego.  Chega!
Tomo litros de cerveza porque los pomos me saben a ti (fuiste mucho tiempo y fuiste muchos recuerdos). Bebo cerveza tragando nudos. Fumo tabaco y sigo vomitando Antonio por los rincones del cuarto.

Outro adeus

- Sentir como se evaporan las gotas de agua de tu cuerpo mientras estás acostado desnudo. - Intercambiar gotas de sudor y saliva. - Todavía duermo de un solo lado de la cama. Del tuyo. Como si te esperara llegar. - Siempre te ha gustado la cama toda para ti. - Mas nunca lo fue. Es incontrolable tu cuerpo dormido. Qué ganas de tocarlo. - (...) the end.
Cuando llegué tenía miedo a que la ciudad me tragara. No dejó de llover por 3 meses, y no dejé de llover por 6: pensé que el agua me iba a limpiar, pero es ácida la lluvia en la Ciudad de México. Nada como a chuva de Monte Aprazível. Lembra quando a gente saía pra passear na chuva? Não lembro mais como é viver em Monte Aprazível. Lembro que fazia muito calor mas não lembro da cor do céu às seis da tarde. El cielo de la Ciudad de México raramente tiene color. Solo contaminación. Me arden los ojos, me seca la piel y ya olvidé el miedo que sentí cuando llegué. He recorrido la Ciudad de México, desde Satélite hasta Xochimilco y ahora mi miedo es dejarla. Me gustaría que conocieras la lluvia limpia de Monte Aprazível, el calor húmedo y las estrellas. La Ciudad de México nunca nos deja mirar las estrellas. Contigo sería más fácil regresar. Tengo miedo a que me olvides si te dejo. A que te trague la ciudad.

Soler.

Recuerdo con cariño el día en que aprendí a usar el verbo "soler". Yo solía escribir, ¿lo recuerdas? ¿Recuerdas como yo era cuando escribía? Es un talento, ¿sabes? Solía agarrar toda esa intensidad que luego se me escurre por la piel y la metía a un texto. Un mail, una carta, los brazos y la pared. Era fuerte, dolía a veces, a veces lloraba. Tu siempre te emocionabas, ¿lo recuerdas? Yo solía ser fuerte. ¿Recuerdas que una noche estuvimos platicando de tres mil pendejadas hasta el amanecer? En esas fechas no solías vestirte después de coger. La desnudez es overrated , en alguna ocasión lo escribí, pero no recuerdo porque. A mi me gusta. En la casa nueva una noche nos reímos mucho y nos pegamos con las almohadas, pero a parte de eso no estoy segura. Necesito más recuerdos, mi amor. Necesito escribirte canciones y terminar mi libro. Necesito hacer de mi tristeza un camino. Corazón etc. (te cuento un secreto: a veces tengo miedo a olvidar el portugués)
Quando chegar o dia de empacotar o coração num embrulho de jornal e guardar em seu bolso sem que ele perceba fingirei que não há nada de errado. Já fiz isso, sei com é. Lembro quando ele me abraçou, eu disse thank you hunny for everything , e ele não disse nada e eu senti sua dor mas não sei se sentiu a minha. A diferença é que a minha dor era mais branda, a dor de quem vai sempre é. Ele ficou. Peguei minhas malas e entrei no carro sem olhar pra trás. Monique olhou e disse que a cena foi tão triste. Nunca mais. Talvez tivesse sido melhor. Não conseguiria lidar com cartas ou emails vindo cada dia com menos frequência. Três meses depois Monique contou que o encontrou e ele estava com outra. Ela lhe passou meus contatos mas ele nunca ligou. Eu não ligaria. Não saberia como agir. Fantasiei por alguns meses nosso reencontro quatro anos depois e hoje, três anos depois ele é só o menino que fez de 2006 o que foi. E isso é triste. Dessa vez ele, o menino que fez deste ano o que foi, me diz ob...

fitter happier more productive

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2012 foi doído e por primeira vez faltaram vilões ou culpados. foram trezentos e sessenta e tantos dias de uma longa caminhada, em linha reta, na qual ninguém prestou atenção se a direção era a certa. 2012 doeu os ossos, olhos, peito e pele, foram trezentos e mais alguns dias de chuva até os joelhos e subindo, foram noites de medo e de afogamento e o eterno despertar outra vez e seguir andando, confusa sobre o destino, porém certa da necessidade. 2012 foi estranho, sobretudo. principalmente porque depois de andar por tantos dias, já faz um par de semanas que me sentei pra ver o sol e por aqui decidi ficar. era fadiga e hoje já quase sou fênix, o céu não tem nuvens e alguém me disse que o vento frio que trouxe minha lua era signo de paz (meu recomeço se deu antes do calendário, cristão ou maia). obrigada pelo amor, 2012, que me deu de comer e beber nessa longa trajetória, e me despeço sem saber muito bem aonde cheguei, mas feliz por estar aqui. o vento que sopra indica o sul e isso s...
http://marinasonfire.tumblr.com/

para Enrico

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Talvez não tenha sido na primeira, mas quiçá na terceira ou quarta vez que a gente leu sobre um pequeno príncipe que retornou pro seu planeta pra cuidar de uma flor, a gente soube que algum dia ele ia voltar. A gente tinha certeza do regresso porque esse principezinho tinha muito que aprender na Terra, e tinha também muito que ensinar (porque a verdade bebê, é que a vida se trata basicamente disso, de aprender e de ensinar). Foi quando a gente entendeu tudo isso que a gente começou a esperar, desde antes que a tua mãe conheceu o teu pai a gente já te esperava, e a gente esperou muito e se preparou tanto pra sua chegada... e mesmo agora que você finalmente chegou às vezes a gente nem acredita, daí tem que pegar, abraçar, beijar, apertar bem forte que é pra ter certeza que não foi um sonho. E daí a gente pode dormir tranqüilo, porque você tá aqui pra reinar nossa vida, pra aprender e pra ensinar, pra fazer a gente enxergar as coisas que não estão muito claras, pra resgatar nosso...
natural é se perder. bonita é a nossa capacidade de se encontrar nas páginas do outro (sempre e quando passa um coelho branco correndo que só a gente vê. porque daí a gente diz pro coelho mandar um salve, uma cheirada, e o coelho manda, inacreditável é que o coelho manda mesmo, sempre manda, daí a gente ri gostoso, de saudade - da boa)
No me acuerdo si ya había amanecido cuando supe de tu existencia pero recuerdo un día en que la noche llegó demasiado rápido en un fin de semana que empezó demasiado temprano y que esa misma madrugada se me hizo eterna. Setenta y dos horas después tu existencia por primera vez me dolió el pecho. Pero nunca te he culpado. A veces hasta creo que si te hubiera conocido en otras circunstancias podríamos ser amigas. Hermanas. De drama, de despecho, desamor, tenemos esa conexión ¿sabes? El mismo semen en nuestros vientres, las mismas promesas en nuestros oídos, una conexión uterina tu y yo. Te entiendo en el dolor, pequeña, y sé lo triste que fue tu historia. Irresponsável é quem aposta tudo e esquece que tem tudo a perder . Creíste y te entregaste y te entiendo en el sufrimiento. Por entenderte te pido que me entiendas también. Algún día tu historia y la nuestra fueron la misma pero irónicamente el final feliz que tanto quisiste ahora es mío. Desafortunadamente ya no hay espacio para ti en...

del cuaderno de recuerdos

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O vento sopra frio enquanto o taxista me pergunta qualquer coisa sem importância e eu sorrio. Respondo monossilábica porque as luzes de Tlalpan não me permitem nem um princípio de small talk . A necessidade de chegar tão longe a fim de me perder pra poder sentir algo tão sincero como o vento frio que as vezes sopra na Cidade do México. As estações do metrô estão todas abandonadas como se nunca tivesse existido a multidão que as percorre todos os dias e me diz o taxista que no, todavía falta mucho a División del Norte, no te preocupes . A verdade é que não me preocupo. A verdade é que sair do trabalho as duas e meia da manhã e me enfiar num taxi que percorra a Calzada de Tlalpan sentido sul, abandonada e fria, porque morro de vontade de te ver é das partes favoritas do fim de semana. Te ensino a dormir ao contrário na cama e nem sabes o bonito que é isso. Cinco minutos deitados e já escuto tua respiração funda, forte, de quem dorme sem medo enquanto tenho conversas existenciais com as ...
Difícil não foi dizer adeus, mas sim limpá-lo de mim. Foram horas de água fervendo em tentativas frustradas de limpar sua saliva do meu pescoço, seus interiores de minhas entranhas, seus demônios da minha cabeça. E de repente estamos outra vez dormidos e despertos sob os mesmos lençóis, gritando pra vizinhança inteira ouvir que andamos outra vez dentro do outro e de repente tenho outra vez cigarros fumados pela metade no cinzeiro e uma camisa jogada no chão do quarto e sou eu outra vez cuspindo palavras inúteis pelas paredes e por todo o seu corpo. A tristeza que eu sinto não tem gabapentina nem fluoxetina que cure, bonito, nem promessas nem abraços, por mais apertados que sejam. É a tristeza de quem é deixado com um vazio que restos alheios não preenchem.

com o velho tom de despeito, volto a escrever desamor

não sei em que momento um tão inocente mal-me-quer-bem-me-quer se transformou em roleta russa mas por ter sabido sempre que a arma estava carregada, não cabe a mim reclamar. o outono chegou como de costume, me quebrando as pernas e já está difícil encontrar eufemismos que façam nossa história mais bonita. nunca fui uma boa perdedora e por isso a necessidade desesperada de lavar tua porra do meu lençol, queimar as fotografias e matar as flores que, em uma coincidência que confundi com sinal, renasceram no meu jardim. tenho os olhos roxos e o coração feito merda mas quando as feridas cicatrizarem serei mais forte do que antes e entenderei que nem sempre vale a pena se jogar de cabeça, irresponsável é quem aposta tudo e esquece que tem tudo a perder. 
você voltou e agora sou outra vez toda amor. nem quis saber o que me oferecia porque o que me pediu foi tudo que sempre quis dar pra alguém. e de repente as lembranças todas já não me provocam acidez no estômago, acho que se transformaram em borboletas de novo. a calzada de tlalpan, tua cara de sono as sete da manhã, uma camiseta jogada no chão do quarto, estoy afuera de tu casa , um cigarro fumado pela metade no cinzeiro. reciprocidade, enfim.
demorei 22 anos pra entender que o problema sou eu.

we're out of wine and lick and love and luck. you can't tell me anything.

- tengo ganas de ponerme en rodillas y pedirte que no te vayas - no digas pendejadas não me ajoelhei, e ele se foi. se tivesse ajoelhado provavelmente teria ido igual.  três horas antes nos encontramos no metrô. duas horas antes tomávamos café conversando sobre a infância, fumamos uns trinta cigarros e parecíamos muito a um casal. uma hora antes ele deu início a um discurso que fez meu coração parar por alguns segundos e eu acho que já não voltou a bater no mesmo passo. devolvi a camisa que tinha passado os últimos dois meses pendurada na porta me lembrando que de fato um homem frequentava minha vida. como doeu.  ya era casi la una cuando empecé a sentir frío, a las dos me senté en el piso del baño, grité berreé y lloré por todos los días que no he estado contigo. amaneció y seguía ahí con la certeza de que debería seguir intentando y hacer cosas estúpidas como mandarte rosas todos los días. la persona cierta en el momento equivocado no es la persona cierta ...